Austríaco com esclerose múltipla leva à Justiça a omissão climática do país
Imobilizado em uma cadeira de rodas e afetado de forma direta pelas altas temperaturas, o austríaco Mex Müllner decidiu transformar seu incômodo com o calor extremo em uma disputa judicial contra o próprio país. Portador de esclerose múltipla, ele sustenta que a Áustria não tem feito o suficiente para enfrentar os efeitos da mudança climática.
A ação foi apresentada em 2021 ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos, em um movimento que amplia o debate sobre responsabilidade dos governos diante de eventos climáticos cada vez mais severos. Para Müllner, a omissão estatal não é uma questão abstrata: ela se traduz em sofrimento físico, perda de autonomia e piora das condições de vida durante as ondas de calor.
O caso chama atenção porque expõe um ponto central da crise climática que muitas vezes fica em segundo plano: seus impactos desiguais sobre quem já convive com doenças crônicas, limitações de mobilidade e maior sensibilidade térmica. Em períodos de calor intenso, idosos, pessoas com deficiência e pacientes neurológicos estão entre os grupos mais expostos a complicações de saúde.
Ao levar a discussão para uma corte europeia, Müllner tenta estabelecer um precedente sobre o dever dos Estados de reduzir riscos ambientais e proteger populações vulneráveis. Mais do que uma disputa jurídica, o processo recoloca a saúde pública no centro da agenda climática e pressiona governos a enxergar a crise não apenas como tema ambiental, mas como ameaça concreta à vida cotidiana.